“SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO DE PISCINAS: USAR E RENTABILIZAR”

“SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO DE PISCINAS: USAR E RENTABILIZAR”

 RESUMO DE COMUNICAÇÃO (WORKSHOP) NO 34º CONGRESSO TÉCNICO CIENTÍFICO DA APTN  WWW.APTN.PT

ÍLHAVO 30 DE ABRIL DE 2011

José Alfredo de Sousa Lopes

Hobbyvida, Gestão de Instalações e Serviços Desportivos, Lda , Entroncamento

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Quando a organização deste 34ºCongresso técnico-científico da APTN me propôs a realização desta comunicação integrada num conjunto de workshops de gestão e dinamização de piscinas, fê-lo na convicção de que a minha experiência vivida na dinamização das piscinas municipais de Vila Nova da Barquinha (Santarém) desde 1999 e os resultados dessa ação até agora alcançados, poderiam ser uma valiosa contribuição para os participantes. Além do mais esta experiência gostaria de vos dizer, foi sempre desenvolvida em contexto de grandes dificuldades e com uma escassa disponibilização de meios, por parte do município. Desde à algum tempo que esta atividade se estendeu a outras instalações noutras regiões. Essa foi a primeira lição: A teoria e a preparação académica serve-nos na medida em que consigamos extrair dela o essencial e que tenhamos depois a habilidade e a competência de a adaptar a cada realidade. Hesitei ainda no nome a dar a esta comunicação. Sim, poderia chamar-lhe também: Gestão de piscinas em tempos de crise.

 Claro que aceitei de imediato tal desafio, embora tentando enquadrar nos meus princípios e valores de sempre algumas novas questões, resultado dos tempos difíceis que vivemos e que estarão para vir ainda.

 O tema geral de DINAMIZAÇÂO de PISCINAS foi sempre para mim, descodificado em duas outras interrogações: Como posso usar a piscina de que disponho e como é que essa utilização pode ser rentável de alguma maneira.

            Podemos efetivamente assistir a diferentes realidades nas nossas piscinas, em que cada uma utiliza o espaço e assim rentabiliza a instalação de diferentes formas, segundo a política que segue cada entidade ou instituição gestora. De uma maneira geral uma piscina tem uma boa dinâmica quando esta política é totalmente ou em parte cumprida. Assim podemos considerar que existe uma boa dinâmica numa piscina, quando esta cumpre todos os objetivos para a qual foi construída. Em regra utilizam-se indicadores de medida, tais como taxas de ocupação, percentagem de utentes da instalação em relação com o número de habitantes, distribuição pelos diferentes segmentos etários ou sociais da população. Igualmente o número de atletas federados e os seus resultados desportivos, pode ser justificador de uma boa dinâmica. Podemos considerar então que do ponto de vista social, político e desportivo, estas dinâmicas promovem essencialmente uma rentabilidade social, política ou desportiva, como resultado da política de utilização seguida. No entanto e especialmente no setor privado, a dinâmica estará sempre associada a uma rentabilidade necessariamente económica, que pode prever ou não algumas das caraterísticas de utilização descritas anteriormente. Poderemos discutir até que ponto também os Municípios não deverão igualmente aproximar-se desta perspetiva, atendendo aos condicionalismos da sociedade global em que nos inserimos.

            Consoante a política e objetivos das entidades proprietárias ou gestoras das instalações, assim poderemos definir os critérios de avaliação da dinâmica necessária numa piscina e por consequência a sua política de rentabilidade. Se considerarmos que uma piscina bem dinamizada é aquela que tem uma taxa de ocupação máxima próxima dos seus limites, devemos também atender de que forma esta é conseguida. Do ponto de vista social e político, esta ocupação pode consistir na mobilização de outros recursos (especialmente em Municípios), oferecendo a prática a vários segmentos da população (Escolas e Idosos em especial) de forma gratuita ou muito abaixo dos custos reais. Não temos a intenção de fazer neste, juízos de valor quanto a estas opções, até porque defendemos a facilitação das oportunidades de atividade física para todos. A dinâmica assim observada, deve considerar igualmente o fator localização geográfica da instalação no espaço municipal e até na localização regional e nacional. Esta abordagem levar-nos-ia com certeza a debater mais profundamente questões de planeamento mais profundas. A localização e número potencial de utilizadores, para além do seu poder económico, serão aspetos a não menosprezar nas dinâmicas possíveis de alcançar. Em oposição e se considerarmos o nível de participação nas diferentes atividades disponibilizadas, poderemos dizer que existem piscinas bem localizadas mas que têm índices de ocupação/participação muito abaixo do seu potencial de procura. Admitimos ainda, que outras sem o mesmo potencial, possuam uma elevada dinâmica que lhes permite mesmo assim, manter um nível de ocupação e participação das pessoas, sem a qual a rentabilidade seria ainda menor. Neste caso, julgamos que o fator decisivo poderá estar ligado à qualidade das pessoas que planeiam, dirigem e monitorizam as atividades e serviços. São eles os responsáveis pela criação de um VALOR que efetivamente é reconhecido e procurado pelos utilizadores, na maioria das vezes condicionados pela política de preços seguida. No entanto, é possível verificar a deslocação de utentes para fora da sua área de residência, buscando esse valor, em detrimento de outra instalação mais próxima.

            Em poucos casos temos assistido, a uma perfeita conjugação destas políticas de rentabilidade, quer nas instalações públicas quer nas privadas. A realidade demonstra-nos que parecem incompatíveis e de difícil convivência. No entanto acreditamos pessoalmente, que formas mistas de gestão poderão aproximar-nos dessa realidade, pelo menos em alguns contextos.

            No atual contexto económico e financeiro em que vivemos, esta questão de política de gestão deve ser levada muito a sério, já que poderemos correr o risco de inviabilizar a continuidade de funcionamento de muitas instalações aquáticas. Reconhecendo que de fato a administração pública, tem assumido um papel fundamental na construção e funcionamento de muitas piscinas. Sem este esforço verificado nos últimos anos, não disporia o nosso país de tão grande quantidade e qualidade de piscinas. São raros os casos em que o movimento associativo consegue por si só, manter este esforço de investimento e ao mesmo tempo desenvolver dinâmicas que suportem os custos do seu funcionamento. Por outro lado é por demais evidente que o setor privado não pode ser obrigado a suportar aquilo que definimos antes de rentabilidade social ou política, embora aceitemos que possa contribuir especialmente para a rentabilidade desportiva, ou neste caso para o aumento da oferta de atividade física em meio aquático. Esta é a oportunidade de introduzirmos muito seriamente o conceito de SUSTENTABILIDADE.

 “Sustentabilidade é a habilidade, no sentido de capacidade, de sustentar ou suportar uma ou mais condições, exibida por algo ou alguém. É uma característica ou condição de um processo ou de um sistema que permite a sua permanência, em certo nível, por um determinado prazo.

Em anos recentes, o conceito tornou-se um princípio, segundo o qual o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras, o que requereu a vinculação da sustentabilidade no longo prazo, um “longo prazo” de termo indefinido, em princípio. O princípio da sustentabilidade aplica-se a um único empreendimento, a uma pequena comunidade, até ao planeta inteiro. Para que um empreendimento humano seja considerado sustentável, é preciso que seja: -Ecologicamente correto; -Economicamente viável; -Socialmente justo; -Culturalmente diverso”.

A gestão das piscinas deve acompanhar os tempos que vivemos e estes são de dificuldade. São tempos de crise especialmente económica, mas não só. Os problemas agravam-se nos domínios sociais e político. Será de prever facilmente que possam ter repercussões bem fortes no âmbito desportivo. Igualmente podemos concluir que os recursos vão escassear incluindo aqueles que normalmente são necessários ao funcionamento de uma piscina. Acresce ao contexto interno deste tipo de instalações, o impato e o custo que os recursos utilizados têm no meio ambiente em geral. Falamos dos consumos que de uma forma geral somos obrigados a cometer para o seu funcionamento e para a realização de diferentes atividades ou eventos. A rentabilidade ambiental deve ser considerada prioridade, para que os outros tipos descritos anteriormente sejam também sustentáveis. As piscinas cobertas aquecidas tal como as conhecemos tradicionalmente, não terão sustentabilidade e tão pouco qualquer tipo de rentabilidade, se continuarem a consumir os atuais sistemas energéticos já de si cada vez mais escassos; se continuarem a produzir resíduos que por sua vez contribuem para agredir o meio natural, as pessoas ou em geral o meio ambiente onde se inserem; se obrigarem a custos económicos sucessivamente muito superiores às receitas geradas…

Neste sentido o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL deve tratar de conseguir a necessária interação entre o homem e o seu meio envolvente, de tal forma que permitindo o avanço da sociedade, estas continuem a desenvolver-se preservando e mantendo os recursos que as sustentam. O desenvolvimento sustentável é assim, a conjugação de sinergias entre três envolvimentos: SOCIAL, ECONÓMICO e o AMBIENTAL. O seu objetivo, será o de fazer do nosso espaço local (instalação, comunidade…) ou do nosso planeta, um espaço Social e Economicamente – EQUITATIVO; um espaço Social e Ambientalmente – HABITÁVEL; e, Económica e Ambientalmente – VIÁVEL.

Finalmente devemos todos aproveitar esta oportunidade, para renovarmos também as nossas mensagens para o exterior. É tempo da implementação do Marketing Verde. As grandes mudanças que se estão a operar na actual sociedade global afectam igualmente o sistema desportivo. As piscinas em especial devido às suas características e riscos, necessitam de adequar a sua estrutura a esta nova realidade. Sentimos que os recursos estão a escassear e se nada fizermos, as instalações que dirigimos correm sérios riscos de se tornarem insustentáveis. Esta oportunidade que nos aparece em tempo difícil, é afinal excelente para rever e revitalizar tudo o que temos feito tantas vezes julgando que os recursos são eternos. Mobilizar a nossa gestão e os utentes/clientes não deixa assim de ter um carácter de novidade, de mudança de paradigma para evoluir e não deixando de ter a consciência que apesar de todo o nosso esforço o futuro continuará muito imprevisível. Nesta análise não deveremos deixar de nos centrar nalguns fatores de mudança: -Mudanças demográficas (maior papel dos idosos; -Maior papel e intervenção das mulheres; -Maior mobilidade e concorrência entre piscinas em raios consideráveis de distância; -Maior tempo livre das pessoas); -Crescente incorporação da actividade física nos hábitos das pessoas; -Aparição crescente de novos sistemas formais ou informais de prática desportiva; -Crescimento do nº, volume e qualidade de novas instalações; -Diversificação latente dos modelos de gestão, com maior intervenção de empresas privadas nas instalações públicas; -Crescentes impactos ambientais na área do desporto pelo aumento do número de instalações e eventos desportivos; -Ampliação desordenada do consumo energético e agressões ambientais.

Não descurando naturalmente a existência de instalações altamente especializadas e com um padrão de oferta muito restrito, será conveniente comentar que em geral (Lopes,J.A.2005) ” o conceito de instalações desportivas estará a evoluir para:

Globalização das ofertas, permitindo um aumento e diversificação do número e características dos serviços, tentando atingir o maior número possível de segmentos de população, com idades e motivações distintas;

Inter-relacionar os destinatários, promovendo momentos de encontro ou prática simultânea na instalação ou complexo de instalações, de diferentes grupos etários. Exemplos desta inter-relação, são as classes com actividade para a família, ou o caso em que pais e filhos conseguem praticar na mesma instalação embora em espaços e actividades diferentes, mas no mesmo horário;

Integrar as instalações, planeando a construção de instalações de tipologia de Complexo Desportivo, onde hajam diferentes tipologias de espaço desportivo e de desenvolvimento de actividades;

Cruzar interesses diversos, planeando instalações desportivas, mas que possam também possuir espaços e actividades de cariz social, cultural, educativo, empresarial, comercial, hoteleiro, turístico, saúde, etc. Desta forma estaremos a promover de forma horizontal, valores de coesão social com mútuas vantagens de trocas e benefícios de mercado.”

Esta comunicação versará assim aspetos fundamentais na utilização e rentabilização de piscinas, que visem torná-las sustentáveis e com planos de dinamização adaptados ao contexto: -Gestão da Segurança; -Gestão de colaboradores internos; -Gestão Económica; -Gestão Social e de Serviços; -Gestão e Inovação de Recursos e Equipamentos; -Gestão da Qualidade ambiental e de Serviços.

A sustentabilidade obriga o gestor ou diretor de uma piscina a desenvolver habilidades específicas, de um ambiente em que a energia das pessoas e do meio envolvente, sejam colocadas como prioridades. Neste campo a educação e participação cívica dos nossos utentes/clientes, deve ser valorizada.