I Ciclo Internacional de Conferencias sobre Socorrismo Acuático 23, 24 y 25 de Abril 2010

Universidad da Coruña
FACULTADE DE CIENCIAS DO DEPORTE E A EDUCACIÓN FÍSICA
DEPARTAMENTO DE EDUCACIÓN FÍSICA E DEPORTIVA
Grupo de Investigación en Actividades Acuáticas y Socorrismo de la UDC

“Prevención de accidentes en programas de actividades acuáticas: responsabilidades del profesor y del socorrista”- autoria
José Alfredo de Sousa Lopes- Portugal   faça aqui o download

INTRODUÇÃO
Com a presente apresentação neste I Ciclo Internacional de Conferências sobre Socorrismo Aquático, pretendemos sobretudo focalizar-nos nos aspectos da segurança intrínseca à produção de actividades aquáticas seguras, onde a relação entre o professor e os seus alunos, assume particular dedicação profissional.
Por outro lado, devemos entender que a segurança e a qualidade da prática pedagógica realizada, acontece num determinado contexto com influência externa, igualmente importante para uma prática com êxito. Referimo-nos naturalmente, à estreita coordenação de procedimentos que deve ser estabelecida com outros técnicos de proximidade. Os socorristas aquáticos, guarda vidas, Life-Guards, Salva Vidas ou Nadadores Salvadores no caso de Portugal, são os técnicos que mais próximos se encontram no apoio e suporte, à realização de diferentes actividades de ensino, de desporto, de manutenção física, de fitness acuático, ou de meros eventos pontuais nos planos de água das inúmeras piscinas cobertas ou descobertas dos nossos territórios.
Neste contexto devemos considerar que as piscinas públicas ou privadas, com elevada afluência diária de utentes, possuem características muito específicas que as distinguem dos meios naturais.
Nesse sentido, também a complexidade e diversidade das suas formas de utilização é enorme, constituindo por si só uma diferença acentuada relativamente a outros espaços naturais, onde predomina unicamente o banho ou usufruto da água, como ócio ou recreação. Nas piscinas cobertas e aquecidas, também existe essa motivação de utilização, mas no entanto os utentes e os seus interesses de prática são na sua maioria enquadrados por técnicos de actividade física, assumindo o Socorrista Aquático um papel com conteúdos mais diversos mas não menos complexos, do que aqueles que se encontram numa praia ou lagoa natural.
Assim podemos dizer que:
1-O mesmo profissional (Socorrista Aquático), deve estar preparado para um tipo de tarefas suplementares, àquelas exclusivamente encontradas numa praia em contexto natural;
2-Por esse facto não deve alterar os seus comportamentos profissionais, nem tão pouco diminuir a preparação técnica específica, igualmente necessária nas praias;
3-Devemos considerar que muitos dos princípios dos seus conteúdos funcionais numa praia se adequam embora sendo transferíveis, para a realidade de uma piscina coberta que tem uma natureza artificial, visto ser ele que:
– É o principal vigilante e autoridade junto ao plano de água;
-Em última instância faz cumprir todos os regulamentos aplicáveis;
-Está responsável pela prevenção e socorro aos utentes;
-Promove exemplos de educação ambiental e defesa da saúde;
-Supervisiona a utilização dos diferentes espaços aquáticos;
-Assegura uma prática adaptada à tipologia das instalações;
-É um dos principais elementos na ligação entre a organização e os utentes;
-Dá apoio à actividades pedagógica das aulas.

As formas de utilização e interesses de prática dos utilizadores actuais em piscinas cobertas, evoluiu rapidamente nos últimos anos, facto a que não devemos ser alheios na hora de reflectirmos, sobre o papel quer do Socorrista Aquático, quer do próprio técnico de Actividades Aquáticas.
Não querendo acreditar que ainda hoje existam piscinas sem um técnico especializado em socorrismo e salvamento aquático, devemos aceitar que comparativamente com o que verificávamos à alguns anos atrás, existem algumas alterações significativas:
-A tipologia e formatos das piscinas atinge hoje uma diversidade e heterogeneidade evidentes;
-As piscinas que à algum tempo existiam principalmente para a natação competitiva, estão hoje cheias de todos os segmentos sociais, com os mais diversos níveis de habilidade aquática e com interesses absolutamente opostos uns dos outros, ocupando nos mais diversos centros populacionais grandes faixas horárias nas instalações;
-O modelo de piscinas recreativas exteriores não é hoje dominante, o que também implica outro modelo de gestão da vigilância;
-A necessidade de rentabilização dos mais diversos recursos, humanos e materiais, fazem com que hoje se confunda polivalência com especialização de tarefas, o que parece demonstrar que as tarefas do socorrista não se confinam só à vigilância e socorrismo;
-Os utilizadores actuais são muito mais exigentes relativamente ao serviço prestado, independentemente do preço que pagam.

Estes exemplos poderiam muito bem ser complementados com outros igualmente caracterizadores desta mudança que observamos.
Neste contexto, somos levados a concluir que o papel do socorrista aquático e do professor de actividades aquáticas, numa piscina coberta aquecida, evolui para patamares de complexidade mais elevados, obrigando estes profissionais a deterem conhecimentos mais amplos, do que aqueles que até aqui julgavam necessitar.
Especialmente o Socorrista Aquático, mas de forma crescente também o Técnico de Actividades Aquáticas, deverão estar preparados profissionalmente para temas como:
-Segurança e gestão de riscos em Piscinas;
-Responsabilidade Civil derivada do seu desempenho profissional;
-Gestão de conflitos e atendimento a utilizadores;
-Normas e regulamentos higiénico-sanitários;
-Higiene e segurança no trabalho, especialmente na protecção contra gases e manejo de substâncias químicas;
-Manutenção e tratamento físico-químico da água;
-Domínio e permanente actualização de protocolos de emergência e segurança, ante riscos que não resultem só dos acidentes na água;

(…)

Por fim, neste breve enquadramento inicial não pretendemos ser conclusivos quanto ao provável alargamento das responsabilidades e conteúdos funcionais destes técnicos nas piscinas.
Do que temos a certeza, fruto não só da realidade da gestão na maioria dos complexos aquáticos actualmente, é que estes dois grupos profissionais têm tudo a ganhar numa maior aproximação de conteúdos funcionais e coordenação laboral, mantendo no entanto a especificidade das competências que os distinguem.
Todos não são demais, desde que por fim consigam tornar a prática das actividades aquáticas e a utilização das instalações, mais segura e benéfica prevenindo com mais antecedência e competência, os riscos inerentes e sempre presentes. ( artigo completo em cima     hobbyvida@gmail.com  )